quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cheio ou vazio?


Meia noite e dez minutos de uma quinta-feira que se aproxima e, silenciosa, sem muito jeito, presencia uma certa náusea. Eu deveria estar feliz. Mas, carrego algo aqui, talvez nem tão fundo, que não sei dizer bem o que é, como se fosse um clichê, daqueles que se reprova, mas, ao cabo, sabe-se verdadeiro. Há uma certa falta de propósito nisso tudo? Ou há uma certa falta de mais-eu em tudo? Hoje li um poema de uma amiga virtual (que eu nunca vi e adicionei à minha lista de amigos porque temos o mesmo sobrenome), que, no precisar dos ditos, tombou ao chão o riso-amarelo, pedindo licença*?:



"[...] 
Neste raso mar e frio
Solidão à caneta
Texto repleto de brios
E a alma ali - vazia e cheia".
(C.R.)



Exatamente isso: vazio e cheio. Aliás, vazio OU cheio? O chegar me consome há alguns anos (cheio). Uma eterna sensação de estar-à-caminho (vazio). Mas, para onde, Deus meu? Aonde eu quero tanto chegar? E se eu já estiver aqui? São dúvidas comuns, eu sei. Momento total-clichê. 

Certamente que a estática das coisas me aborrece. No entanto, na dinâmica suspensa, não consigo fixar os olhos. E a divisa mais ampla prejudicada está. Sarar, é o que preciso. Urgentemente. Sarar-me de dicotomias. Ou vazio. Ou cheio. Vazio-cheio não colabora. O meio nunca me agradou. Radico. 




*e não é para isso que servem os poemas e as amizades, ainda que virtuais?